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Bebida e corrida, isto funciona?

Entenda os efeitos do álcool no organismo de um corredor e veja como devem ser as corridas

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E ai corredores, tudo tranquilo? Aproveitaram o feriadão prolongado? Hoje, vamos discutir um assunto que está muito relacionado às palavras “feriado” e “prolongado”, visto que pra maioria das pessoas, feriadão remete à festas, praia, happy hour, churrasco, entre outros eventos em que, normalmente, nos encontramos diante de bebida alcoólica. E ai, para nós, corredores de plantão vem aquela dúvida: será que a associação entre corrida e bebida alcoólica funciona?

Bom, muitas são as noticias sobre os efeitos positivos do álcool sobre este ou aquele fator, porém, infelizmente para os adeptos do uso do álcool como agente socializador, o mesmo não é indicado para quem busca um bom desempenho na corrida (e em qualquer outro esporte!), pois uma pequena quantidade de álcool pode ser suficiente para estragar o planejamento de dias para evolução de sua performance.

O álcool, como muitos já perceberam, leva à desidratação, pois ele atua em nosso sistema nervoso central e impede a liberação de um hormônio chamado vasopressina, levando a um aumento na diurese. Em resposta a este aumento na diurese, temos uma diminuição no plasma, a parte líquida do sangue, levando a uma queda na pressão arterial e aumento da freqüência cardíaca e na força de contração do coração. Em repouso, podemos não perceber estas alterações, porém quando partimos para nossa corrida, este ligeiro aumento na freqüência cardíaca e na força de contração do coração impõe um custo de energia maior ao organismo o que te levará à fadiga mais rapidamente.

Além disso, ao correr elevamos a temperatura corporal e uma das estratégias utilizadas pelo corpo humano para impedir aumentos acentuados desta seria a transpiração. A transpiração envolve “suar plasma sanguíneo” e se nosso conteúdo plasmático esta reduzido, minimizamos a capacidade de transpiração e de controle da temperatura corporal, resultando novamente em fadiga precoce.

E a reduzida capacidade de controle térmico e os prejuízos do sistema cardiovascular não são os únicos malefícios. Observamos também sobrecarga de fígado e rins (que precisam “limpar” organismo) e reduzida capacidade de produção de força muscular (pois o álcool atua como relaxante muscular). Logo, fisiologicamente falando, álcool e performance não combinam…

Bom, mas como muitos não são de ferro e não dispensam um bom vinho ou uma cervejinha, o que fazer se a tentação falar mais alto? Simples, evite os treinos longos e desgastastes na próximas 24-48 horas após o consumo excessivo se álcool (o período pode ser um maior se o consumo for muito grande ou menor se o consumo for social). Justamente o que normalmente nós não fazemos, pois tentamos “compensar os excessos de bebida e comida” com um treino mais “puxado” no dia seguinte.

Portanto, se você não bebeu, calce seu tênis e vamos correr! Agora, se você bebeu, avalie a melhor opção.

Um abraço e até a próxima semana.

 

Felipe Natali Almeida
Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá, Mestre em Ciências Biológicas por esta mesma instituição e Doutor em Fisiologia Humana pela Universidade de São Paulo. Trabalha com consultoria esportiva. Corredor por hobby.